sábado, 10 de julho de 2010

Não era Eu

O Sol escondia-se no horizonte, e seus últimos raios batiam no meu corpo ainda úmido. Sensação, simultaneamente, agradável e estranha, a água atravessa-me pelos poros. Nesses momentos, me sinto viva. [Aliás, quando você senti-se vivo? - eu e meus diálogos. Voltemos à narrativa!]

Não me lembro nem o dia, muito menos a hora exata. O que me lembro é do entardecer, de um banco e de um par de olhos úmidos.

O Entardecer. O céu era límpido, não era azul, nem laranja ou vermelho, mas a mistura resultante fornecia-me uma paz indescritível. Em uma razoável frequência, pássaros quebravam a tal paz com suas asas e bicos, porém a beleza permanecia. O vento, quando vinha ao meu encontro, balançava-me da mesma forma que uma mãe nina seu filho. Isso também me fazia sentir viva.

O Banco. Era singelo. Cimento e granito. [Sim, um parente próximo.] Exacerbadamente reto e rígido. Se me permitir uma analogia, a usarei agora. Aquele banco era como um senhor moldado pela sociedade para ser reto e rígido, e por mais que esse, no seu íntimo, quisesse ser mais maleável e curvilíneo, não poderia, pois sua concepção é a de que nasceu para ser reto e rígido. Dessa maneira, o vento que em mim parecia um carinho materno, nele chegava como um tapa de um algoz. Mas ele continuava, aparentemente, impassível, afinal, era reto e rígido.

E por fim, os olhos. Eram castanhos. Não os percebi de imediato. Para ser sincera, o Entardecer e o Banco traziam-me maior presença de vida do que eles. Mexiam-se às vezes, culpa do vento que os faziam piscar. Mas só. A princípio cheguei a ter esperanças que olhavam para mim. Todavia, não focalizavam nada externo. Estavam úmidos, mas não choravam. Provavelmente cansados de tal ato. Para onde eles olhavam então? Uma foto ligeiramente amassada nas mãos parecia dar-me uma pista. Refletindo, cheguei a uma conclusão aceitável. Aqueles olhos tinham, não uma pedra, mas uma lembrança no meio de seu caminho.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não se acomode ao que incomoda

De fato sou uma Pedra, e sendo uma não me limito a preocupações mundanas fúteis, mesmo que elas me intriguem com tanta estranheza. Já cheguei a me perguntar a causa de vocês humanos, com uma certa experiência de vida, serem tão estragados e ocos por dentro. Percebo que junto com os anos seus medos também se acumulam, assim como suas preocupações, descoragens e decepções 'circunlóquianas'. Ah! E claro suas rugas na testa! O correto -segundo palavras de um de sua espécie conhecido como Darwin- não seria "evoluir"? Onde está tal evolução?

Talvez seja mesmo apenas no ramo genético, pois vocês continuam os mesmos se escondendo em suas cavernas emocionais chamadas de -lembranças- simultâneamente correndo de seus animais predadores já citados acima e finalmente morrendo a margem de si, sem desenvolver qualquer tipo de intelecto que possa ser aplicado a certa fase difícil na qual entro em seu caminho. Será que sou tão imprescindível assim em suas vidas? Não sei se fico grato, ou não. Onde fica a parte bonita da história onde você me encara e me atira para fora de suas futuras pegadas?

Estou aqui há milhares de anos, e além de me moldar fisicamente com os chutes de cada um de vocês, posso dizer que também sei adaptar minhas emoções e sentimentos a várias ocasiões. Seria eu então superior você? Essa pergunta, você me responde, e dá próxima quem sabe eu não te conte uma história.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

To be a Rock 'n' not to Roll


Quem disse que uma Pedra não pode refletir ouvindo boa música? Ao lado, uma ótima opção e bem coerente com a linha de pensamento que pretendo desenvolver aqui. Portanto, o que está esperando? Aperte o "play" e continuemos nosso "diálogo".

Por vezes me perguntei, por que seria melhor ser uma pedra e não rolar? Peguemos, inicialmente, as vantagens de ser uma Pedra. Compacta e forte. Você, por acaso, já viu uma Pedra preocupada com contas no final do mês? Com seu relacionamento com outras Pedras? Com a forma que é vista perante à sociedade? Ou em palavras mais precisas, já viu uma Pedra anular sua própria personalidade para ser aceita e "amada" por outras? Bom, eu não.

Mas não nos limitemos a isso, vamos aos defeitos. Inertes e passivas a forças externas. Sim, nesse ponto parecem até com alguns humanos. Parecem? Sim, sou diferente. I like to roll, my Dear. Cada chute que recebo, me faz rodar, assimilar a poeira do trajeto, "crescer" devido essa incorporação. Enquanto o ser que me chuta, simplesmente, segue seu monótono percurso, sem ganhar ou perder nada. Eu, após rolar e rolar, paro no meio de outros caminhos, à espera de outros chutes.